Ao ler um artigo que saiu na Folha de S. Paulo, do dia 13/05/2010, de Contardo Calligaris, com o título Adoção por casais homossexuais, fiquei interessado em escrever a respeito, contudo, e novamente, me prostei diante do tema, novamente as mesmas frases, os mesmos dissabores, as mesmas interrogações, as mesmas revoltas, diante de um tema como esse. Pensei, calar-me, não posso!
O artigo começa com "Na semana retrasada, por unanimidade, o Superior Tribunal de Justiça reconheceu que casais homossexuais tem o direito de adotar", e ao ler esta introdução partes do meu cérebro começaram a agir delineadamente e sorrateiramente pancadas das sinapses me conduziam à razão, pois um assunto que já é bordão, um assunto antigo e motivo de negações e aceitações, entretanto atual e digno de condutas extremas/fundamentalista e extremas/conservadoras e extremas/progressista. Paradigmas criados, recriados e inovados. O mundo é recente em democracia, mesmo que ela seja somente representativa, porém quando o tema é negro, judeu, pobre, homossexual, deficientes, idosos, asiáticos, ciganos,crenças o Homem se torna bárbaro, volta ao seu estado primitivo e conduz ações desumanas e leviatânicas. A pergunta é, por quê? Explicações e textos foram traçados, debatidos em mesas redondas. Intelectuais, visionários e "donos da verdade" discorreram amargamente a respeito. Quais os progressos alcançados? Perante as leis, tardiamente, alcançou uma aprovação, o direito dos homossexuais adotarem, mesmo com retaliações. Negros, em nosso país, ainda sofre sanções e preconceitos, pensamentos discordantes quando se fala em políticas afirmaticas; judeus destituídos de sua própria pátria, de sua morada, de seus valores, que hediondamente dizimados como animais pestilentos, como pragas enviadas por Deus; ciganos violados e violentados pela cultura dita superior, xenofobia de países soberbamente ditos donos do poder; deficientes humilhados e encarados como inválidos, excluídos de produzir e viver; os idosos inseridos em uma cultura ocidental de que a terceira idade é a idade do estorvo, da inatividade, da não produção aos cofres públicos, não é o dito perfil da globocolonização; os asiáticos, os amarelos são empecilhos aos ianques, aos imperialistas neoromanos, servem somente para trabalhar braçalmente e confinados em guetos; as crenças, ah, motivos de discordia, de guerras e mortes. Acreditar em um Deus único, acreditar em divindade que não seja a pregada pela igreja de Pedro, é estar fora da salvação. Por que não ser imanente ou descrente?; os homossexuais, a intenção deste texto é esse, todavia não tinha como não levantar algumas linhas ao pensar na minoria ou a maioria? Pois é, século 21 e eu aqui traçando algumas linhas a respeito de direitos.
Adotar ou não? Casar ou não? ser ou não ser homossexual? Ser ou não feliz? Ser ou não ser humano? Acreditar na vida ou não? Acreditar no Homem ou não? É tão simples a resposta. Basta tirarmos as máscaras e a pele que cobre o ser humano de preconceito ancestral, cultural/histórico, de vícios criados pelo próprio Homem.
É tão difícil o Homem tirar as máscaras carcomidas pelo tempo, cheias de traças e mofos, cobertas por baratas e ratos? Sim, mas é possível, é humano. Como seria mais fácil viver, como seria mais humana a raça, pois teria humanidade.
Ao prosseguir com o artigo, Calligaris levanta a polêmica, se adotadas, as crianças, "Seu desenvolvimento afetivo, intelectual e sexual é diferente do das crianças de casais heterossexuais?" evidenciando respostas de décadas de estudos empíricos feitos por médicos, psicólogos e assitentes sociais, que está em um documento de 72 páginas, de 2007, destinado à Corte Suprema da Califórnia pela American Psychological Association , a American Psychiatric Association e a National Association of Social Workers, dizendo: "homens gay e lésbicas formam relações estáveis e comm compromisso recíproco, que são essencialmente equivalentes a relações heterossexuais" e continua "não existe base científica para concluir que pais homossexuias sejam, em qualquer medida, menos preparados ou capazes do que pais heterossexuais ou que as crianças de pais homossexuais sejam, em qualquer medida, menos psicologicamente saudáveis ou menos bem adaptadas." É fato a existência de cientistas para evidenciar o que já é evidente.
Contardo ao afirmar que, no Brasil, alguns representantes do Poder - escolhidos pelo povo, pregam a união heterossexual, a moral alienante, a hipocria familiar, de instituições que eles mesmos destroem, corrompem, deturpam, ritualizam com seus tabus e escondem , sempre na surdina suja, as ortodoxias e prontificam a vomitar aquilo que não podem mostrar, pois externamente é sujo e pecado, contrário às "leis divinas". Podem ser desonestos, podem corromper, podem bulinar meninas e meninos no mundo virtual, podem desviar dinheiro, podem construir "torres de marfim", podem bater nas mulheres, podem ser distantes dos filhos, podem sentar à mesa com suas famílias,se sentam, somente para cumprir os rituais ortodoxos, mas ao levantar, cada um com suas máscaras, podem trair suas esposas, podem ficam com garotos de programa, podem masturbar e pensar em outros ou outras, podem bulinar a filha ou o filho, mas ser favorável a adoção, jamais, eles têm que mostrar que são retos e com moral intocável. Quanta hipocrisia! Quanta desonra ao ser humano! - dizem que os filhos de casais homossexuais serão motivos de constrangimentos e zombarias/piadas, principalmente nas escolas. O dono do artigo coloca "Pois é, na mesma escola, também vão zombar de negros e de pobres. Vamos impedir negro e pobre de ter filhos? O Cômico é que, no Brasil, o filho de homossexual pode ser motivo de zombaria, mas essa zombaria não se compara com o que pode acontecer com filho de deputado..." Como havia dito linhas atrás, é isso, a moral sectária não enxerga o erro que está ao lado, à frente deles.
Por isso que afirmo, não é difícil viver, é difícil viver com seres humanos sem humanidade, seres que excluem, seres que endossam o preconceito, a discriminação e passam isso aos seus filhos. Onde está o mal? Ele nasce onde? Dentro das nossas casas. Entre quatro paredes das famílias ditas dignas e ilibadas. Rezam e oram diuturnamente para curar dos pecados. Famílias que estão com torcicolos pelos pescoços levantados aos céus. O mal mora e moral está alojado nestas casas, que na entrada está escrito "Seja bem-vindo".
No ato da escrita lembrei de um filme que assiste há dois meses, A fita Branca, do diretor alemão Michael Haneke, em preto e branco, muito interassante, porém cansativo, nos dá a ideia do nascimento do nazismo, do mal. Poderíamos até questionar, mas este mal poderia ter nascido na França, na Itália, em outros lugares, mas foi nascido ali, entre crianças ingênuas que estavam sendo "preparadas" e "educadas" para a vida. O mal subexiste aqui e ali, basta querermos. Não sou pessimista com quanto à humanização, todavia é assustador o que defrontamos dia a dia, o espírito humano dentro de uma visão niilista diante de assuntos como os abordados.
Como esperar algo de bom dos seres humanos encobertos de mal, de ressentimentos, de decepções, de sofrimentos perdidos e encontrados, de espancamentos, de violações do corpo, de choros, de noites abertas para o fim? Como curar o mal destes seres? Como exorcizar este mal que consome mentes? Ainda não sei a resposta, mas sei que é muito bom ser feliz e conviver e compartilhar amor.
Assim nascem seres humanos com humanidade.
Preciso de espaço, espaços, frestas, aberturas. Neles consigo enxergar o vazio, a paisagem, o nada, o tudo. Aqui deixo minhas implicâncias, minhas idiossincrasias, meu ego/self, em busca de quê? Ainda não sei, o Cosmos em movimento, minha vida em movimento.
domingo, 16 de maio de 2010
sábado, 8 de maio de 2010
Mãe
Segundo domingo do mês de maio, dia das mães. Desde que participamos dos malabarismos do capital, o consumo entranhou em nossos cérebros e passamos a servos incontestes dele. Daí datas simbólicas foram criadas e valorizadas, e o dia das Mães não poderia faltar. O senso comum é uma praga da humanidade, como também uma salvação.
Como ficar alheio, distante e indiferente neste dia? Deixemos as reflexões, os bordões, os clichês e chavões que friamente e dialeticamente desfazem deste dia. Deixe eu vivenciá-lo e saboreá-lo.
Mãe, mesmo diante dos clichês e lugares-comuns,é motivo de reverência e amor. Bendita é a mulher que traz à luz a LUZ. Bendita é a mulher que gera vida e cria. Bendita é a mulher que ama incondicionalmente.
Lágrimas agora descem do meu rosto, pois, como escrever sobre o tema, se não lembrar da minha mãe.
São lágrimas calmas, leves. Descem lentamente do meu rosto, sem desespero, sem cobranças, mas lágrimas suaves, cheias de ternura.
O corpo da mulher foi esculpido e torneado para criar vida, somente ela é capaz de tal merecimento. Ao descobrir que está grávida, imediatamente rompem todas as amarras de fragilidades e medos(algumas não percebem, mas existem), é próprio da mulher. Rituais começam a fazer parte da vida dela. O ritual da paciência. O ritual da espera. O ritual da ternura. O ritual do olhar. O ritual da atenção. O ritual do olhar. O ritual do aconchego. O ritual do amor incondicional. O ritual das lágrimas. O ritual do sorriso. O ritual do corpo. Tudo muda. Tudo se transforma. Ela jamais será a mesma.
Seu destino já está traçado. Ser mãe.
Bem dita é ela.
No ventre carrega vida
Seu corpo todo pulsa
Dois corações
Esculturada para parir
Modelada para amar
com dores e alegrias
Carregará dentro do seu ventre
vida humana
vida envolvida pelo corpo materno
protegida pelo calor e amor
Ancestralidade é seu nome,
sua sina é dar vida
conduzir vida
trazer vida
dar LUZ
Mater, madre, mãe
seu nome é reverência
seus braços, proteção
seus olhos, vigília
seus lábios, direção
seu corpo, morada.
Mãe, o cordão da vida
Mãe, o que devo?
a minha existência
a minha infância
os meus erros
os meus acertos
os meus choros
as minhas alegrias
as broncas
as conquistas
a minha adolescência
as minhas descobertas
as minhas derrotas
as minhas decepções
as minhas vitórias
os meus sonhos
os meus valores
os meus medos
os meus ânseios
os meus mundos
as minhas objetividades
a minha maturidade
o meu corpo
os meus amores
os meus dissabores
as minhas individualidades
as minhas angústias
os meus egoísmos
as minhas dores
as minhas indecisões
as minhas certezas
o conhecimento
o discernimento
a compreensão
a incompreensão
a possibilidade de amar
incondicionalmente
a vida
o meu filho
e a certeza de que nunca vou pagar
sempre vou aprender
vida com você.
Como ficar alheio, distante e indiferente neste dia? Deixemos as reflexões, os bordões, os clichês e chavões que friamente e dialeticamente desfazem deste dia. Deixe eu vivenciá-lo e saboreá-lo.
Mãe, mesmo diante dos clichês e lugares-comuns,é motivo de reverência e amor. Bendita é a mulher que traz à luz a LUZ. Bendita é a mulher que gera vida e cria. Bendita é a mulher que ama incondicionalmente.
Lágrimas agora descem do meu rosto, pois, como escrever sobre o tema, se não lembrar da minha mãe.
São lágrimas calmas, leves. Descem lentamente do meu rosto, sem desespero, sem cobranças, mas lágrimas suaves, cheias de ternura.
O corpo da mulher foi esculpido e torneado para criar vida, somente ela é capaz de tal merecimento. Ao descobrir que está grávida, imediatamente rompem todas as amarras de fragilidades e medos(algumas não percebem, mas existem), é próprio da mulher. Rituais começam a fazer parte da vida dela. O ritual da paciência. O ritual da espera. O ritual da ternura. O ritual do olhar. O ritual da atenção. O ritual do olhar. O ritual do aconchego. O ritual do amor incondicional. O ritual das lágrimas. O ritual do sorriso. O ritual do corpo. Tudo muda. Tudo se transforma. Ela jamais será a mesma.
Seu destino já está traçado. Ser mãe.
Bem dita é ela.
No ventre carrega vida
Seu corpo todo pulsa
Dois corações
Esculturada para parir
Modelada para amar
com dores e alegrias
Carregará dentro do seu ventre
vida humana
vida envolvida pelo corpo materno
protegida pelo calor e amor
Ancestralidade é seu nome,
sua sina é dar vida
conduzir vida
trazer vida
dar LUZ
Mater, madre, mãe
seu nome é reverência
seus braços, proteção
seus olhos, vigília
seus lábios, direção
seu corpo, morada.
Mãe, o cordão da vida
Mãe, o que devo?
a minha existência
a minha infância
os meus erros
os meus acertos
os meus choros
as minhas alegrias
as broncas
as conquistas
a minha adolescência
as minhas descobertas
as minhas derrotas
as minhas decepções
as minhas vitórias
os meus sonhos
os meus valores
os meus medos
os meus ânseios
os meus mundos
as minhas objetividades
a minha maturidade
o meu corpo
os meus amores
os meus dissabores
as minhas individualidades
as minhas angústias
os meus egoísmos
as minhas dores
as minhas indecisões
as minhas certezas
o conhecimento
o discernimento
a compreensão
a incompreensão
a possibilidade de amar
incondicionalmente
a vida
o meu filho
e a certeza de que nunca vou pagar
sempre vou aprender
vida com você.
sábado, 16 de janeiro de 2010
A dor que eu sinto.

A dor que eu sinto
ninguém mais sente.
A dor do amor,
a dor da perda,
a dor da angústia,
a dor da morte,
a dor da saudade,
a dor da bílis negra
ah, melancolia.
A dor da solidão,
a dor da traição,
a dor da alegria,
a dor do sexo,
a dor do gozo,
a dor da paixão,
a dor da verdade,
a dor da mentira,
a dor da procura,
a dor do esquecimento,
a dor da decepção,
a dor de não ser,
a dor da espera,
a dor da tristeza
quando os olhos caem.
A dor da derrota,
a dor do conhecimento,
a dor da ignorância,
a dor do nascimento,
a dor da náusea,
a dor da miséria,
a dor do Absurdo,
a dor niilista,
a dor da depressão,
a dor da liberdade,
a dor da fome,
a dor da sede,
a dor do começo,
a dor do final,
a dor da conquista,
a dor existencial
a dor sem razão
a dor da razão,
a dor da emoção,
a dor da vitória,
a dor da paz,
a dor do toque,
a dor de não ser amado,
a dor de viver,
a dor de morrer,
a dor de não sei o quê.
A dor do nada,
a dor da dor.
Única!
Somente, sinto!
Penetrável, invasiva
atemporal.
Não me venham com explicações.
Não me venham com bálsamos.
Não me venham com divindades.
Não me venham com placebos.
Deixem-me doer.
Dor profunda
Dor intensa
Dor êxtase.
Dor sangrada.
Dor mortal
Dor sem lágrimas.
Dor da alma.
Dor como se rasgasse o corpo.
Cavernosa.
Dor profana.
Dor sacra.
Quero cheirá-la.
Comer da sua carne.
Beber da sua lágrima bilial.
Senti-la.
Posso?
Deixem-me!
Gritos surgiram, talvez
opacos, vazios, silenciosos ou emudecidos.
A dor que eu sinto?
é humana e minha.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Dois corpos, nada mais!

Dois corpos
enlaçados,
entrecortados
envolvidos...
Dois corpos que se cruzam
se integram
se completam
num êxtase de dor,
de gritos,
de sussurros,
de respirações
de líquidos,
de suores...
Dois corpos
dois olhares
quatro mãos
quatro pés
duas cabeças
duas bocas
40 dedos
duas línguas
quatro coxas
quatro braços
dois narizes
quatro ouvidos
sinestesicamete preparados para o coito
quantidades de prazeres
infinitos prazeres.
Dois corpos
duas almas
dois espíritos
duas metades
incompletas
que se completam
Dois corpos
dermes e epidermes.
Poros, poros, poros que se abrem, exaustivamente!
Pelos, pelos, pelos
enlaçados,
entrecortados
envolvidos...
Dois corpos que se cruzam
se integram
se completam
num êxtase de dor,
de gritos,
de sussurros,
de respirações
de líquidos,
de suores...
Dois corpos
dois olhares
quatro mãos
quatro pés
duas cabeças
duas bocas
40 dedos
duas línguas
quatro coxas
quatro braços
dois narizes
quatro ouvidos
sinestesicamete preparados para o coito
quantidades de prazeres
infinitos prazeres.
Dois corpos
duas almas
dois espíritos
duas metades
incompletas
que se completam
Dois corpos
dermes e epidermes.
Poros, poros, poros que se abrem, exaustivamente!
Pelos, pelos, pelos
em um campo coberto de gramíneas, todos eriçados
e atiçados.
Dois corpos
dois cérebros
medo, dor, emoção, transe
duas amígdalas
poeticamente, param!
por segundos
parte e todo
desativados.
Sublimação.
Dois corpos
um pênis
uma vagina
ou
dois pênis
duas vaginas
ah, sublime trepação.
ah, sublime transa
ah, sublime amor
ah, sublime momento
ah, sublime entrega
ah, sublimes órgãos
ah, sublime contato
ah, sublime erupção
ah, sublime dor
ah, sublime respiração
ah, subliem transe
ah, sublime entrelaçar
ah, sublime líquido
ah, sublime línguas
costuradas entre salivas
ah, sublimes corpos
ah, olhares
ah, cheiros de sexo
e nada mais.
Dois corpos
pelos do corpo eretos
pau ereto
clitóris ereto
paus eretos
os clitóris eretos
encontros e desencontros
até o ato final
o ato falho
até onde Freud não pôde ir
até onde Lacan não pôde ir
não há explicações
somente tesão
Dois corpos
em evidências
em contrastes
em desarmonias
hormônios
estrogêneo e testosterona
ah, salve os guardiões dos prazeres!
orgarsmos, orgasmos
Afinal, o que querem as mulheres?
Afinal, o que querem os homens?
Ah, o cérebro...
o olimpo dos prazeres!
Estímulos, estímulos!
Homens XY
Mulheres XX
Cromossomicamente, a vida caminha para o ato sexual
Assim, homens e mulheres para o prazer de um gozo.
Momento infinito.
Qual o meu gene e qual o seu?
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
YYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYY
XYXYXYXYXYXYXYXYXYXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Somos homens, somos mulheres, somos entrega
Somos um.
Dois corpos
que se cheiram
se envolvem nus
se contorcem
se desintegram
Corações acelerados
sem fôlegos
respirações que se comungam
Dois corpos
duas vozes
deliberadamente, dizem palavras...
sexualmente, palavras sussurradas
suadas
nucas,
orelhas,
virilhas,
lábios grossos
lábios rosados
molhados
pele, ah, pele!
corpo junto ao corpo
pele a pele
nada mais!
Despidos para o gozo infinito
Dois corpos
antes da penetração
todos os artifícios
do sexo
do nexo
do amplexo
do desconexo
do côncavo e
do convexo.
Descobrindo os picos dos corpos
os seios
os bicos dos seios
as vulvas
os dedos
as línguas
as nucas
os cabelos
as orelhas
os pés
os ânus
os paus
as vaginas
as costas
os cheiros
malabismos do sexo
Dois corpos
buracos molhados
lubrificados...
Dois corpos
entrega única
respirações e suores
à espera do pau
à espera dos dedos
A vagina aberta sem medos,
o pau ereto, veias saltitantes
direcionado ao buraco
para o gozo eterno
o gozo infinito
gemer, gemer, gemer
de tanto prazer.
Agora, dois corpos
ligados
enlaçados
por um caminho
frente e verso
verso e frente
musculaturas
em movimento.
corpos elasticamente
se desdobram
se completam
sobe, desce, desce, sobe
sobe, desce, desce, sobe
........................
Parada, por segundos
Ah, labirintos do prazer
excitações
tesões
gritos
gritos, sinais do sexo
palavras do sexo
ai, ai, ai, uh, uh, uh, ai, ahhh, ahhh, ahhh,
não tem como descrever as palavras , neologismos e onomatopeias
do sexo, do prazer
uhhhhhhhhhhhhhhuhhhhhhhhhhhhhhhhhuhhhhhhhhhhhhhhhh
corpos suados
corpos molhados
corpos lublificados
Chegou o momento...
indescrítivel.
Vulcões em erupções
nada mais!
Dois corpos
agora, incompletos
envolvidos na trama da vida
para posteriores descobertas
Homem-homem
Homem-mulher
Mulher-mulher
prazeres, nada mais!
Dois corpos
dois cérebros
medo, dor, emoção, transe
duas amígdalas
poeticamente, param!
por segundos
parte e todo
desativados.
Sublimação.
Dois corpos
um pênis
uma vagina
ou
dois pênis
duas vaginas
ah, sublime trepação.
ah, sublime transa
ah, sublime amor
ah, sublime momento
ah, sublime entrega
ah, sublimes órgãos
ah, sublime contato
ah, sublime erupção
ah, sublime dor
ah, sublime respiração
ah, subliem transe
ah, sublime entrelaçar
ah, sublime líquido
ah, sublime línguas
costuradas entre salivas
ah, sublimes corpos
ah, olhares
ah, cheiros de sexo
e nada mais.
Dois corpos
pelos do corpo eretos
pau ereto
clitóris ereto
paus eretos
os clitóris eretos
encontros e desencontros
até o ato final
o ato falho
até onde Freud não pôde ir
até onde Lacan não pôde ir
não há explicações
somente tesão
Dois corpos
em evidências
em contrastes
em desarmonias
hormônios
estrogêneo e testosterona
ah, salve os guardiões dos prazeres!
orgarsmos, orgasmos
Afinal, o que querem as mulheres?
Afinal, o que querem os homens?
Ah, o cérebro...
o olimpo dos prazeres!
Estímulos, estímulos!
Homens XY
Mulheres XX
Cromossomicamente, a vida caminha para o ato sexual
Assim, homens e mulheres para o prazer de um gozo.
Momento infinito.
Qual o meu gene e qual o seu?
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
YYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYY
XYXYXYXYXYXYXYXYXYXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Somos homens, somos mulheres, somos entrega
Somos um.
Dois corpos
que se cheiram
se envolvem nus
se contorcem
se desintegram
Corações acelerados
sem fôlegos
respirações que se comungam
Dois corpos
duas vozes
deliberadamente, dizem palavras...
sexualmente, palavras sussurradas
suadas
nucas,
orelhas,
virilhas,
lábios grossos
lábios rosados
molhados
pele, ah, pele!
corpo junto ao corpo
pele a pele
nada mais!
Despidos para o gozo infinito
Dois corpos
antes da penetração
todos os artifícios
do sexo
do nexo
do amplexo
do desconexo
do côncavo e
do convexo.
Descobrindo os picos dos corpos
os seios
os bicos dos seios
as vulvas
os dedos
as línguas
as nucas
os cabelos
as orelhas
os pés
os ânus
os paus
as vaginas
as costas
os cheiros
malabismos do sexo
Dois corpos
buracos molhados
lubrificados...
Dois corpos
entrega única
respirações e suores
à espera do pau
à espera dos dedos
A vagina aberta sem medos,
o pau ereto, veias saltitantes
direcionado ao buraco
para o gozo eterno
o gozo infinito
gemer, gemer, gemer
de tanto prazer.
Agora, dois corpos
ligados
enlaçados
por um caminho
frente e verso
verso e frente
musculaturas
em movimento.
corpos elasticamente
se desdobram
se completam
sobe, desce, desce, sobe
sobe, desce, desce, sobe
........................
Parada, por segundos
Ah, labirintos do prazer
excitações
tesões
gritos
gritos, sinais do sexo
palavras do sexo
ai, ai, ai, uh, uh, uh, ai, ahhh, ahhh, ahhh,
não tem como descrever as palavras , neologismos e onomatopeias
do sexo, do prazer
uhhhhhhhhhhhhhhuhhhhhhhhhhhhhhhhhuhhhhhhhhhhhhhhhh
corpos suados
corpos molhados
corpos lublificados
Chegou o momento...
indescrítivel.
Vulcões em erupções
nada mais!
Dois corpos
agora, incompletos
envolvidos na trama da vida
para posteriores descobertas
Homem-homem
Homem-mulher
Mulher-mulher
prazeres, nada mais!
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Os ombros suportam o mundo?

Inicio este artigo com uma frase de Vergílio Ferreira, um escritor português, o considero existencialista, enfim , um escritor considerável, que diz o seguinte "Há dentro de nós a exigência absoluta de sermos eternos e a certeza de o não sermos. O absurdo é a centelha do contato destes dois opostos." Acredito pertinente à entrada de 2010. O ser humano com suas exigências, em busca do elixir e do Graal da longevidade. A guerra de todos contra todos pelo absoluto, e é aí que o homem se perde, é nesta busca pela certeza que sua moral alienada se desfaz, com isso encontramos um homem perdido, um homem desintegrado,um homem em seu estado natural, um homem darwiniano, instintivo. Vergílio Ferreira em poucas palavras evidenciou este homem. Caso busque exemplos escritos ou imagens, principalmente imagens, ainda mais na era mas media, na era do visual, dos olhos assoberbados e confusos, dos olhos midiáticos, dos olhos refletores, contudo cegos, uma cegueira irreversível? encontraremos à exaustão.
Diante deste impasse, pensei, o que irei escrever? Como receber o ano novo? Por que novo? Cronologicamente, os desígnios do Homem são postos como uma ordem por ele mesmo. Entrar o ano novo 2010 é chegar à meia-noite e saber que sexta-feira chegou e o dia primeiro de janeiro de um outro ano entrou. Porém os significados, os emblemas, os rituais, os valores antropológicos, as crenças, as superstições, as simbologias, os conceitos dos ocidentais, dos orientais, dos árabes, dos islâmicos, dos nórdicos, mitos, enfim o homem construindo valores àquilo que não consegue encontrar resposta, mesmo afirmando que exista tal resposta, exista tal Graal.
Eu, como um mortal crente, hipotético e inconformado com a vida que o homem vem desenhando, vejo que a solução , há solução sim, é o homem voltar a sua sensibilidade de humano, procure mais tocar, abraçar, beijar, amar, confiar, tolerar, porém de uma forma genuína, sem luxúria, sem malícias. Busque enxergar os problemas e enfrentá-los, mesmo que isso acarrete dissabores e sofrimentos, o bem, não seja supremo, é a felicidade. Busque em 2010 a coragem, a força para dialogar com a vida. Busque em 2010 a tolerância, ser tolerante é ser humano, é saber que nada mais somos que humanos, todos diferentes, mas humanos. Busque a verdade, a lealdade, mesmo que para isso passe por situações-limite. Busque enxergar mais o céu azul, as estrelas, a noite, a lua, o vento rossando nossos corpos. Dê espaço ao tempo, à respiração.Busque em 2010 enxergar o outro com olhos de compaixão, perdão, desculpas. Busque em 2010 você. Busque em 2010 a valorizar o planeta Terra, a ensinar , a educar e aprender. Busque em 2010 ser amigo. Busque em 2010 a benevolência. Busque em 2010 a incomodação com as agruras da vida do outro. Incomode com o sofrimento, incomode com a desonestidade, incomode com a desumanidade, incomode com a corrupção, incomode com a falta de alimento para quem não tem o que comer. Incomode com a destruição do meio ambiente, incomode com o político, incomode com falta de qualidade no ensino, incomode com você, incomode com a vida. Incomode com o se... No momento que nos incomodamos, refletimos e quando refletimos , agimos. Nossa missão para 2010 é AÇÃO. Busco um poema para finalizar meu incômodo, é de Drummond, espero que gostem e REINICIAR É O CAMINHO, SEMPRE!
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Diante deste impasse, pensei, o que irei escrever? Como receber o ano novo? Por que novo? Cronologicamente, os desígnios do Homem são postos como uma ordem por ele mesmo. Entrar o ano novo 2010 é chegar à meia-noite e saber que sexta-feira chegou e o dia primeiro de janeiro de um outro ano entrou. Porém os significados, os emblemas, os rituais, os valores antropológicos, as crenças, as superstições, as simbologias, os conceitos dos ocidentais, dos orientais, dos árabes, dos islâmicos, dos nórdicos, mitos, enfim o homem construindo valores àquilo que não consegue encontrar resposta, mesmo afirmando que exista tal resposta, exista tal Graal.
Eu, como um mortal crente, hipotético e inconformado com a vida que o homem vem desenhando, vejo que a solução , há solução sim, é o homem voltar a sua sensibilidade de humano, procure mais tocar, abraçar, beijar, amar, confiar, tolerar, porém de uma forma genuína, sem luxúria, sem malícias. Busque enxergar os problemas e enfrentá-los, mesmo que isso acarrete dissabores e sofrimentos, o bem, não seja supremo, é a felicidade. Busque em 2010 a coragem, a força para dialogar com a vida. Busque em 2010 a tolerância, ser tolerante é ser humano, é saber que nada mais somos que humanos, todos diferentes, mas humanos. Busque a verdade, a lealdade, mesmo que para isso passe por situações-limite. Busque enxergar mais o céu azul, as estrelas, a noite, a lua, o vento rossando nossos corpos. Dê espaço ao tempo, à respiração.Busque em 2010 enxergar o outro com olhos de compaixão, perdão, desculpas. Busque em 2010 você. Busque em 2010 a valorizar o planeta Terra, a ensinar , a educar e aprender. Busque em 2010 ser amigo. Busque em 2010 a benevolência. Busque em 2010 a incomodação com as agruras da vida do outro. Incomode com o sofrimento, incomode com a desonestidade, incomode com a desumanidade, incomode com a corrupção, incomode com a falta de alimento para quem não tem o que comer. Incomode com a destruição do meio ambiente, incomode com o político, incomode com falta de qualidade no ensino, incomode com você, incomode com a vida. Incomode com o se... No momento que nos incomodamos, refletimos e quando refletimos , agimos. Nossa missão para 2010 é AÇÃO. Busco um poema para finalizar meu incômodo, é de Drummond, espero que gostem e REINICIAR É O CAMINHO, SEMPRE!
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Devaneios
No calor da tarde no meu corpo
observo aqueles que não me veem
ensimesmados.
Couraças que vestem e revestem
seus corpos e seus espíritos.
Sentado em uma livraria
lendo qualquer um.
Qualquer linha.
Qualquer mundo.
Qualquer espaço.
Qualquer eu.
Envolto pelos cheiros e aromas dos cafés
servidos e bebidos.
Bebida preta, envolvente.
Cafeinados pelas leituras.
Ah, me encontrei em um campo de lilases.
Leio Walt Witman. Sou paradoxal!
É a cafeína!
Canso de olhar figuras ao meu redor.
Várias máscaras.
Volto à leitura.
Olho para o teto que me cobre,
envolve meu pequeno corpo
com seus ângulos e geometrias
nada lineares,
impedem a minha saída
do mundo da leitura, caso eu queira sair.
Os seguranças, vários.
Sentimentos à Caronte.
Desconfiados, com seus olhares
conturbados, em várias direções.
Contorcionistas da livraria.
Vigias do templo dos imortais e dos semideuses.
Comprimido pela velocidade da tarde,
Walt Wiltman me deixa cansado.
Não quero questionar a vida,
a minha vida.
Quero simplesmente a leveza da tarde
em uma livraria, embriagado de café.
Rodeado pelo sobrenatural,
seus espíritos rondando cada compartimento,
cada vão...
Levanto!
Em que direção? Ao nada?
Encontro com a imortalidade.
Acordo Kafka, Dostoievski, Jorge Amado, Clarice Lispector, Joyce, Poe, Oswald de Andrade, Picasso, Dali, Manuel Bandeira...
Uma confusão em fusão.
Fico tonto.
Os meus olhos em direção a cada livro.
Acordo todos eles, do sono eterno.
Não sei em que dimensão do universo eles estavam.
São onipresentes, onipotentes.
Imortais!
Pode ser que neste exato momento
diverso os leem.
Diversos os xingam!
Diversos os vingam!
Diversos os menosprezam!
Diversos os queimam!
Diversos os abandonam!
Diversos choram...
Sei que lê-los
os acordarei do passado
quiçá mal resolvido.
Acordo o momento da escrita de cada um.
Das gotas de sangue jorradas ao escrever.
Acordo suas intimidades.
Acordo os seus sonos
suas brevidades,
seus êxtases,
seus dissabores,
seus devaneios,
suas decepçoes,
suas solidões,
seus ataques de vaidade.
suas luxúrias,
seus suícidios,
(...)
Acordo suas vãs liberdades.
Acordo as suas alteridades.
Os seus desejos de morte.
Estou ainda com Walt Wiltman.
Por que não o solto?
Sinto-o com sua fisionomia anglo-saxã
enfurnado em suas grossas barbas.
Sinto o cheiro do vômito de palavras
na minha carne.
Compulsivamente, também, entro em êxtase momentâneo.
Não consigo mais ver rostos
encouraçados e sem vozes espalhadas
não de pessoas comuns, mas de almas, de espíritos.
Vultos...
Almas inquietas, espectrais.
De escritores mal compreendidos,
egoístas, soberbos, doentes, esquizofrênicos, depressivos, vadios,
errantes, compulsivos, viciados, homossexuais.
Vários, vários.
Letras palpitam e pulsam como um órgão.
Prateleiras que mexem incessantemente.
Liberdade às almas condenadas ao pó,
às prateleiras,
ao abandono.
ao esquecimento,
ao vento,
ao espanador,
aos dedos e mãos dos arrumadores de estantes,
ao vazio,
ao espaço entre espaços, elipses, elipses do tempo,
às leituras aleatórias,
aos incrédulos,
às leituras salvadoras,
às leituras suicidas,
às leituras pecadoras,
às passadas de páginas com dedos encardidos,
às possíveis páginas amarelas, abandonadas às traças.
Aos depósitos amontoados de cérebros,
desordenadamentes, para o esquecimento.
Ouço gritos distantes
distoantes.
Ninguém ouve.
Várias línguas, uma babel.
Penetrantes, assustadoras, nos interstícios da livraria,
nas frestas, entre livros.
Consegui deixar Walt Wiltman.
Direciono meu olhar a um espectro na prateleira.
Não consigo identificar o nome e nem o rosto e nem o título.
Obliquamente, meus olhos procuram o infinito em cada livro,
em cada página, em cada movimento inconsolável
de todos que ali estão.
Buscam a salvação ou a perdição?
Eu busco o quê?
Conturbado e ébrio de café,
encaro outro espectro.
Tem os olhos miúdos, inconfundível!
Óculos voltados ao espelho da alma do ser humano.
Barbas e bigodes marcam a vida e a morte.
Comportamentos humanos, nada mais!
Lá estava ele, dissimulado.
Olhar de ressaca, fixado em cada um,
em mim, como eu a ele.
Só que havia vários dele, enfileirados, clonados.
Fiquei confuso, qual seria ele?
Queria dizer-me algo?
Não sabia, entrei em transe.
Apareceram vários espectros em minha direção.
Vinham como saindo de seus túmulos.
Descontrolado, peguei um que vi à minha frente,
um sociólogo polonês, Zigmum Bulman.
Vivo!
Liquidamente, vivo!
Começo a folheá-lo, ininterruptamente.
Leio-o sedento.
Sua ideia do absurdo do homem,
da liquedez da vida,
do amor líquido,
do Homem - líquido,
me senti desconfortável,
a irreversibilidade do homo sapies sapiens.
Devolvi-o como numa catarse à prateleira.
Olhares absortos continuam a fustigar a livraria.
Muitos entram neste labirinto de palavras,
de letras,
de signos,
de símbolos,
de vozes,
de almas condenadas,
de almas nas encruzilhadas
de almas puras, raríssimas.
De corpos, corpos,
sem saber o que procuram.
Talvez, querem companhia!
talvez, querem a solidão!
Talvez, não!
Ou nunca iremos saber.
Eu rupturo fronteiras.
Aproximo daqueles que desejo.
Quero o sentir o hálito de diversos,
ler seus segredos e degredos.
Chegar ao desconhecido,
ultrapassar mares e continentes.
Um home do universo
que chora, sofre, ama, condena, sangra!
Vulcânico!
Totalmente paradoxal!
Humano!
Quero ler, somente!
Desfiguradamente, fantasmas entrelaçam a livraria.
Querem ser lidos.
Vieram até mim Jorge Luis Borges e Neruda.
Alef, porto.
Alef, porto.
Odes, odes, odes.
Saramago, Drummond e Virgínia Woof.
Lilith/Caim/Jesus/morte
amor/pedras/infância
suicídio/súicídio/gêneros
Arrebenta,alma minha!
sangra, sangra!
Não consigo controlar-me.
Tremo, suo.
Agora é Balzac, Dante, Freud, Marx, Homero
em um novelo sem fim, sem pontas
Carrol, Nietszche, Hegel, o florentino Maquiavel, etc, etc, etc
um emaranhado de confusões,de vozes, de rostos, de cérebros,
de palavras, de textos, escritas, letras, páginas...
Flutuo em um bailado desconexo de letras
absintas e opiárias baudelairianas
em um réquiem incessante.
Espectros, almas, me soltem.
Quero a liberdade sartreana!
Preciso exorcizar-me
Preciso encontrar-me
nos altares das letras
no olimpo dos imortais
no pó,
nos nós,
nas divisas,
nas linhas,
na carne,
na vida,
na morte
(...)
Volto a ler Walt Wiltman!
Meus devaneios...
observo aqueles que não me veem
ensimesmados.
Couraças que vestem e revestem
seus corpos e seus espíritos.
Sentado em uma livraria
lendo qualquer um.
Qualquer linha.
Qualquer mundo.
Qualquer espaço.
Qualquer eu.
Envolto pelos cheiros e aromas dos cafés
servidos e bebidos.
Bebida preta, envolvente.
Cafeinados pelas leituras.
Ah, me encontrei em um campo de lilases.
Leio Walt Witman. Sou paradoxal!
É a cafeína!
Canso de olhar figuras ao meu redor.
Várias máscaras.
Volto à leitura.
Olho para o teto que me cobre,
envolve meu pequeno corpo
com seus ângulos e geometrias
nada lineares,
impedem a minha saída
do mundo da leitura, caso eu queira sair.
Os seguranças, vários.
Sentimentos à Caronte.
Desconfiados, com seus olhares
conturbados, em várias direções.
Contorcionistas da livraria.
Vigias do templo dos imortais e dos semideuses.
Comprimido pela velocidade da tarde,
Walt Wiltman me deixa cansado.
Não quero questionar a vida,
a minha vida.
Quero simplesmente a leveza da tarde
em uma livraria, embriagado de café.
Rodeado pelo sobrenatural,
seus espíritos rondando cada compartimento,
cada vão...
Levanto!
Em que direção? Ao nada?
Encontro com a imortalidade.
Acordo Kafka, Dostoievski, Jorge Amado, Clarice Lispector, Joyce, Poe, Oswald de Andrade, Picasso, Dali, Manuel Bandeira...
Uma confusão em fusão.
Fico tonto.
Os meus olhos em direção a cada livro.
Acordo todos eles, do sono eterno.
Não sei em que dimensão do universo eles estavam.
São onipresentes, onipotentes.
Imortais!
Pode ser que neste exato momento
diverso os leem.
Diversos os xingam!
Diversos os vingam!
Diversos os menosprezam!
Diversos os queimam!
Diversos os abandonam!
Diversos choram...
Sei que lê-los
os acordarei do passado
quiçá mal resolvido.
Acordo o momento da escrita de cada um.
Das gotas de sangue jorradas ao escrever.
Acordo suas intimidades.
Acordo os seus sonos
suas brevidades,
seus êxtases,
seus dissabores,
seus devaneios,
suas decepçoes,
suas solidões,
seus ataques de vaidade.
suas luxúrias,
seus suícidios,
(...)
Acordo suas vãs liberdades.
Acordo as suas alteridades.
Os seus desejos de morte.
Estou ainda com Walt Wiltman.
Por que não o solto?
Sinto-o com sua fisionomia anglo-saxã
enfurnado em suas grossas barbas.
Sinto o cheiro do vômito de palavras
na minha carne.
Compulsivamente, também, entro em êxtase momentâneo.
Não consigo mais ver rostos
encouraçados e sem vozes espalhadas
não de pessoas comuns, mas de almas, de espíritos.
Vultos...
Almas inquietas, espectrais.
De escritores mal compreendidos,
egoístas, soberbos, doentes, esquizofrênicos, depressivos, vadios,
errantes, compulsivos, viciados, homossexuais.
Vários, vários.
Letras palpitam e pulsam como um órgão.
Prateleiras que mexem incessantemente.
Liberdade às almas condenadas ao pó,
às prateleiras,
ao abandono.
ao esquecimento,
ao vento,
ao espanador,
aos dedos e mãos dos arrumadores de estantes,
ao vazio,
ao espaço entre espaços, elipses, elipses do tempo,
às leituras aleatórias,
aos incrédulos,
às leituras salvadoras,
às leituras suicidas,
às leituras pecadoras,
às passadas de páginas com dedos encardidos,
às possíveis páginas amarelas, abandonadas às traças.
Aos depósitos amontoados de cérebros,
desordenadamentes, para o esquecimento.
Ouço gritos distantes
distoantes.
Ninguém ouve.
Várias línguas, uma babel.
Penetrantes, assustadoras, nos interstícios da livraria,
nas frestas, entre livros.
Consegui deixar Walt Wiltman.
Direciono meu olhar a um espectro na prateleira.
Não consigo identificar o nome e nem o rosto e nem o título.
Obliquamente, meus olhos procuram o infinito em cada livro,
em cada página, em cada movimento inconsolável
de todos que ali estão.
Buscam a salvação ou a perdição?
Eu busco o quê?
Conturbado e ébrio de café,
encaro outro espectro.
Tem os olhos miúdos, inconfundível!
Óculos voltados ao espelho da alma do ser humano.
Barbas e bigodes marcam a vida e a morte.
Comportamentos humanos, nada mais!
Lá estava ele, dissimulado.
Olhar de ressaca, fixado em cada um,
em mim, como eu a ele.
Só que havia vários dele, enfileirados, clonados.
Fiquei confuso, qual seria ele?
Queria dizer-me algo?
Não sabia, entrei em transe.
Apareceram vários espectros em minha direção.
Vinham como saindo de seus túmulos.
Descontrolado, peguei um que vi à minha frente,
um sociólogo polonês, Zigmum Bulman.
Vivo!
Liquidamente, vivo!
Começo a folheá-lo, ininterruptamente.
Leio-o sedento.
Sua ideia do absurdo do homem,
da liquedez da vida,
do amor líquido,
do Homem - líquido,
me senti desconfortável,
a irreversibilidade do homo sapies sapiens.
Devolvi-o como numa catarse à prateleira.
Olhares absortos continuam a fustigar a livraria.
Muitos entram neste labirinto de palavras,
de letras,
de signos,
de símbolos,
de vozes,
de almas condenadas,
de almas nas encruzilhadas
de almas puras, raríssimas.
De corpos, corpos,
sem saber o que procuram.
Talvez, querem companhia!
talvez, querem a solidão!
Talvez, não!
Ou nunca iremos saber.
Eu rupturo fronteiras.
Aproximo daqueles que desejo.
Quero o sentir o hálito de diversos,
ler seus segredos e degredos.
Chegar ao desconhecido,
ultrapassar mares e continentes.
Um home do universo
que chora, sofre, ama, condena, sangra!
Vulcânico!
Totalmente paradoxal!
Humano!
Quero ler, somente!
Desfiguradamente, fantasmas entrelaçam a livraria.
Querem ser lidos.
Vieram até mim Jorge Luis Borges e Neruda.
Alef, porto.
Alef, porto.
Odes, odes, odes.
Saramago, Drummond e Virgínia Woof.
Lilith/Caim/Jesus/morte
amor/pedras/infância
suicídio/súicídio/gêneros
Arrebenta,alma minha!
sangra, sangra!
Não consigo controlar-me.
Tremo, suo.
Agora é Balzac, Dante, Freud, Marx, Homero
em um novelo sem fim, sem pontas
Carrol, Nietszche, Hegel, o florentino Maquiavel, etc, etc, etc
um emaranhado de confusões,de vozes, de rostos, de cérebros,
de palavras, de textos, escritas, letras, páginas...
Flutuo em um bailado desconexo de letras
absintas e opiárias baudelairianas
em um réquiem incessante.
Espectros, almas, me soltem.
Quero a liberdade sartreana!
Preciso exorcizar-me
Preciso encontrar-me
nos altares das letras
no olimpo dos imortais
no pó,
nos nós,
nas divisas,
nas linhas,
na carne,
na vida,
na morte
(...)
Volto a ler Walt Wiltman!
Meus devaneios...
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